Mortalha

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terça-feira, 9 de junho de 2009

[Insira Aqui] em estilo Mangá! - Parte 1



Parece que muitas coisas andam sendo ressucitadas, recicladas e convertidas em mangá, nos tempos atuais. Há sete, oito anos atrás, o 'estilo mangá' não era algo que garantia vendas e lucro. Muito pelo contrário. Eram pouquíssimas as pessoas que sabiam definir com exatidão o que era e o que não era mangá, e o 'dito cujo', aliás, era muito mal visto e evitado pelos fãs de quadrinhos em geral - salvo raras exceções.

Quando o mercado brasileiro de mangás começou a nascer - e ainda não era muito bem 'alimentado' de obras japonesas por aqui -, o momento foi muito propício para o surgimento de grandes - e talentosos - ícones do mangá brasileiro, principalmente com a fantástica 'Holy Avenger'. O momento era bom, e foi muito bem aproveitado.

Hoje em dia, porém, com a importação de tantos mangás que invadiram o Brasil, e o surgimento desse novo mercado dos sedentos fãs do estilo, muita gente anda querendo aproveitar a onda...
Profissionais da área querendo desesperadamente abocanhar um pedaço desse ávido mercado. Aí surgem obras como a Turma da Mônica Jovem. Sendo sincero, no início achei uma idéia oportunista e que seria mal explorada, mas devo dizer que quando leio partes dos novos volumes me surpreendo! A qualidade gráfica e a qualidade dos roteiros vêm melhorando - e muito. O estúdio parece ter investido bastante para se aprofundar o máximo possível no estilo, e não cair numa mesmice superficial do mangá como muitos - até mesmo a toda poderosa Marvel - já fizeram...

Mas e aí vem mais uma publicação, a Luluzinha em mangá, da Ediouro. Naquilo que a Turma da Mônica Jovem mais teve sucesso - que foi na adaptação dos personagens, a re-ambientação do universo -, a Luluzinha falhou imensamente. Como muitos já disseram, se o nome da personagem fosse outro, ninguém iria perceber. É até provável que a editora tenha sugerido colocar Luluzinha como protagonista de uma nova públicação já parcialmente desenvolvida, simplesmente buscando ampliar o número de vendas... Mas isso não é bom.
O Maurício, com a TMJ pode não ter agradado 100% do público que compra os mangás, por exemplo, da JBC. Mas criou um novo público, juntando aqueles que já compravam a Turma da Mônica (e que adoraram a nova proposta do estúdio), e ainda novos curiosos. Mas a Luluzinha... Ah. Não agradou muito ao público dos mangás e nem ao tradicional público da Luluzinha - que nao conseguiu enxergar a personagem, mesmo que reciclada no novo universo.

Mas são passos - imagino eu, em humilde opinião - que devem ser tomados para que um novo mangá, o mangá brasileiro, seja firmado. As editoras buscam o lucro, claro, é o seu papel, mas ao mesmo tempo têm tentado criar uma versão nacional do estilo japônes de fazer quadrinho - e esse é o ponto mais positivo de todos -, mesmo que no processo tenham que tropeçar várias vezes.
O que não pode acontecer é que o nosso mercado se acostume a 'torcer a cara' para o mangá nacional e se limite simplesmente a consumir o mangá e a cultura japonesa.
Lembremos dos próprio e sábios japoneses, que uniram diversos estilos e 'digeriram' tudo aquilo dentro de sua própria cultura, para criar histórias em quadrinhos apropriadas para o seu mercado. Façamos isso.